Tese identifica desigualdades entre municípios da Amazônia Legal e fortalece monitoramento da Agenda 2030

Agência Rhisa
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Desenvolvida no PPG-CASA/Ufam, pesquisa de Bruno Cordeiro Lorenzi constrói um índice inédito para analisar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em 772 municípios e consolida uma trajetória iniciada com o projeto Atlas ODS Amazonas.

A Amazônia Legal não pode ser compreendida como um território homogêneo. Essa é uma das principais conclusões da tese de doutorado do pesquisador Bruno Cordeiro Lorenzi, defendida nesta sexta-feira (10), no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia (PPG-CASA), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), perante banca examinadora composta pelos doutores Alessandro Samartin de Gouveia (MPAM), Cristiane do Nascimento Brandão (Ufam), Júlio César Roma (Ipea), Ricardo Gilson da Costa Silva (Unir) e Suzy Cristina Pedroza da Silva (Ufam).

Intitulada “Desigualdades Intrarregionais na Amazônia Legal sob a ótica dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, a pesquisa analisou os 772 municípios da Amazônia Legal para compreender como fatores territoriais, institucionais e socioeconômicos influenciam o cumprimento da Agenda 2030. A banca avaliadora aprovou o trabalho com nota máxima.

Um dos principais resultados da pesquisa foi a construção do Índice ODS Amazônia, ferramenta que reúne 109 indicadores distribuídos entre 18 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo o ODS 18, voltado à Igualdade Étnico-Racial, permitindo comparar o desempenho dos municípios e identificar padrões persistentes de desigualdade.

Além de apontar diferenças entre estados, o estudo demonstra que as desigualdades se manifestam dentro da própria Amazônia, refletindo processos históricos de ocupação, níveis distintos de infraestrutura, capacidade institucional e integração territorial. Segundo a tese, municípios mais conectados aos eixos logísticos tendem a apresentar melhores indicadores, enquanto áreas mais isoladas concentram os maiores desafios para o desenvolvimento sustentável.
Para Bruno Lorenzi, a defesa representa mais do que a conclusão de uma pesquisa acadêmica: simboliza o amadurecimento de um projeto coletivo desenvolvido ao longo de mais de uma década.

“Hoje tivemos a defesa da nossa tese de doutorado, intitulada ‘As desigualdades intrarregionais na Amazônia Legal sob o aspecto da Agenda 2030’. Fomos agraciados com uma receptividade muito boa da banca. Nota 10. É um marco muito importante. Optamos por fazer essa defesa dentro deste laboratório, que representa toda a nossa luta desde 2019 até aqui. Fiz o mestrado pelo programa dentro do projeto Atlas ODS Amazonas. Depois, tivemos nosso nível de maturidade ampliado para o Atlas ODS Amazônia. Hoje completamos esse ciclo e estamos muito felizes”, afirmou.

A escolha do laboratório para sediar a defesa reforça essa trajetória. Segundo o pesquisador, o espaço acompanhou a evolução do projeto desde o Atlas ODS Amazonas até sua ampliação para toda a Amazônia Legal, consolidando uma iniciativa voltada à produção de informações estratégicas para subsidiar políticas públicas na região.

Entre as contribuições da tese está a primeira territorialização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em escala municipal para toda a Amazônia Legal. O trabalho também estabelece linhas de base para monitorar a Agenda 2030, propõe um índice comparável entre municípios e recomenda políticas públicas territorialmente diferenciadas, considerando a diversidade social, econômica e ambiental da região.

Ao final da pesquisa, Bruno reforça que compreender a Amazônia exige reconhecer sua diversidade interna. Como sintetiza a mensagem de encerramento da apresentação da tese, “não existe uma Amazônia. Existem múltiplas Amazônias e cada uma delas exige seu próprio caminho para o desenvolvimento sustentável”.

Por: Milena Monteiro