Proposta busca aporte inicial de R$ 700 mil para transformar iniciativa em um projeto de R$ 5,54 milhões e instalar quatro unidades produtivas de bioeconomia em Benjamin Constant (AM).
A Incubadora de Negócios de Impacto Socioambiental do Alto Solimões (Inpactas), vinculada à Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e sediada em Benjamin Constant, apresentou ao Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) uma proposta para implantação de um Polo de Biorrefinarias voltado à bioeconomia amazônica. O projeto prevê um aporte inicial de R$ 700 mil para transformar a iniciativa em um investimento estimado em R$ 5,54 milhões.
A proposta foi apresentada durante reunião da diretoria do Cieam, a convite do presidente executivo da entidade, Lúcio Flávio Morais de Oliveira. Participaram do encontro o coordenador-geral de Programas e Projetos para a Amazônia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Eliomar da Mota Cunha, e o pró-reitor de Tecnologia da Ufam, Dalton Chaves Vilela. O projeto é resultado de um convênio entre a universidade e a Prefeitura de Benjamin Constant.
Segundo o diretor executivo da INPACTAS, Pedro Henrique Mariosa, o diferencial da proposta está na construção de um modelo desenvolvido a partir das necessidades da própria região.

“Esse projeto tem potencial para se tornar um modelo porque foi concebido desde o início com uma governança que respeita os tempos e os processos do território. Ele nasce a partir de demandas reais do mercado, da pesquisa, do poder público, das comunidades e das agências de fomento e desenvolvimento. Além disso, as biorrefinarias foram projetadas para serem modulares, com instrumentação de baixo custo e foco no aprendizado prático, permitindo que o território se aproprie da tecnologia de forma gradual. Isso reduz os custos operacionais e cria um modelo que pode ser replicado e operado por equipes de duas a cinco pessoas”, afirmou.
Ecossistema em expansão
A Inpactas acompanha atualmente 24 startups voltadas à bioeconomia amazônica, sendo 13 em fase de incubação e 11 em pré-incubação. Os empreendimentos apresentam níveis de maturidade tecnológica que variam de TRL 2 a TRL 8. Duas startups já faturam, e as iniciativas incubadas impactam mais de 500 famílias no Alto Solimões.
Com base nessa experiência, a incubadora propõe a implantação de um polo de aproximadamente 750 metros quadrados, equipado com laboratórios, showroom, área administrativa, estação de tratamento de água e esgoto e usina solar própria. O projeto arquitetônico é assinado pela arquiteta Daniela Quinaud Jaenicke.
Quatro biorrefinarias
O polo será estruturado inicialmente com quatro biorrefinarias voltadas ao aproveitamento sustentável da biodiversidade amazônica.
° A PIRACY – atuará na piscicultura e filetagem de tambaqui e matrinxã alimentados com frutos da floresta.
°A IPORÃ – será destinada à extração e padronização de óleos vegetais amazônicos, como camu-camu, tucumã e castanha, para produção de bioinseticidas e insumos funcionais.
°A AQUAVIRIDI – é dedicada ao cultivo de microalgas em fotobiorreatores tubulares para produção de biomassa de alto valor.
°Já a KAWERU – transformará fibras de bananeira em embalagens 100% biodegradáveis, em uma iniciativa liderada por mulheres indígenas.
A infraestrutura compartilhada contará ainda com usina solar de aproximadamente 20 kWp com baterias para cargas críticas, além de estações de tratamento e reúso de água, em conformidade com a legislação ambiental.
Modelo validado
Um dos principais argumentos apresentados ao Cieam é que parte da estrutura proposta já foi validada na prática.
A unidade AQUAVIRIDI já está instalada e em operação em Benjamin Constant, funcionando como prova de conceito do projeto. Para a Inpactas, a experiência demonstra a viabilidade técnica do modelo e reforça que a implantação das demais biorrefinarias representa a expansão de uma solução já testada no território.

Com a apresentação ao Cieam, a Inpactas busca transformar um aporte inicial de R$ 700 mil em um projeto de R$ 5,54 milhões para consolidar um polo de biorrefinarias no Alto Solimões. A expectativa é ampliar a estrutura disponível para as startups incubadas e fortalecer a bioeconomia na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.
Por: Milena Monteiro

