Sites de prefeituras do Amazonas têm falhas de transparência e comunicação com a população, aponta estudo da Ufam

Agência Rhisa
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Estudantes de Relações Públicas da Ufam apresentam os resultados da análise dos portais oficiais das prefeituras do Amazonas. Foto: Divulgação.

Análise de estudantes de Relações Públicas avaliou os portais oficiais de Manaus e dos 61 municípios do interior e identificou problemas de atualização, acesso a informações públicas e diálogo com o cidadão

Os sites oficiais das prefeituras do Amazonas ainda enfrentam dificuldades para manter a população informada e facilitar o acesso a serviços e informações públicas. Essa é uma das conclusões de uma análise feita por estudantes do curso de Relações Públicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) entre 28 de setembro e 6 de outubro de 2026.

O trabalho foi desenvolvido na disciplina Laboratório de Comunicação II, da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC), com orientação do professor doutor Danilo Egle Santos Barbosa. Foram examinados os portais das 62 prefeituras do estado (Manaus e os 61 municípios do interior) e 264 notícias publicadas nesses canais.

A pergunta central do estudo foi: o site da prefeitura serve ao cidadão ou à imagem de quem está no poder? Para responder, os estudantes avaliaram a qualidade e a atualização dos portais, os canais de transparência e diálogo (Portal da Transparência, e-SIC, Ouvidoria, Fale Conosco e acessibilidade) e a forma como as administrações divulgam suas ações.

Nove municípios sem portal e atualização em falta

Dos 61 municípios do interior, nove não tinham site institucional ativo: oito divulgavam informações apenas por redes sociais e um portal estava fora do ar. As redes sociais são ferramentas importantes de comunicação, mas não substituem os canais de transparência e acesso à informação exigidos pela Lei de Acesso à Informação e pela Lei Complementar 131/2009.

A falta de atualização foi o pior critério de qualidade avaliado: os portais alcançaram 56% da pontuação possível, e em 21 municípios a nota foi zero. Há sites com boa estrutura, mas com notícias paradas há meses.

Canais existem, mas nem sempre chegam ao cidadão

Os estudantes definiram a situação como “janela instalada, mas fechada”. Entre os problemas encontrados estão links quebrados, sistemas de difícil navegação, dados disponíveis apenas em planilhas técnicas e e-mails oficiais vinculados a contas pessoais.

Em Eirunepé, as receitas e despesas de 2026 aparecem listadas mês a mês, mas sem nenhum documento que permita consultar os dados. Segundo o levantamento, o município já é alvo de procedimento do Ministério Público do Amazonas (MPAM), aberto em janeiro.

Autopromoção e pouca presença de fontes

Das 264 notícias analisadas, 50 tinham tom promocional e 43 usavam adjetivos de exaltação à gestão. Os casos mais comuns foram fotos centradas no gestor e títulos que começam pelo nome da autoridade. A autopromoção, porém, não foi a regra. O artigo 37, parágrafo 1º, da Constituição Federal determina que a publicidade dos órgãos públicos tenha caráter educativo, informativo ou de orientação social, sem promoção pessoal de autoridades ou servidores.

Também chamou atenção a pouca presença de documentos e fontes: apenas 20 das 264 notícias (7,6%) traziam link para documento oficial. Em um dos lotes avaliados, 65% das textos não citavam nenhuma fonte e só 13% ouviam moradores.

Modernizar não basta

Segundo o levantamento, 52% dos portais estão na fase mais avançada de evolução digital, mas o índice de autopromoção ficou praticamente igual em todas as fases. Ou seja, a modernização tecnológica, por si só, não garante uma comunicação pública mais transparente e voltada ao cidadão.

O interior ensina a capital

Manaus tem a estrutura mais completa de serviços digitais. Já o interior se destacou pela proximidade: secretários com nome e telefone na página inicial, atendimento por WhatsApp, horários de balsa e transmissão ao vivo de sessões da Câmara.

Municípios menores mostram que é possível fazer bem: Barreirinha teve 100% em transparência e diálogo, sem sinais de autopromoção, e Benjamin Constant e Carauari obtiveram nota máxima.

Da análise à proposta

Além de avaliar os sites, cada grupo redesenhou o portal de um município. As propostas incluem atenção a comunidades ribeirinhas e indígenas, atendimento por WhatsApp com número de protocolo, páginas leves para quem tem internet fraca e regras de impessoalidade para as equipes de comunicação.

Estudantes da disciplina Laboratório de Comunicação II, da FIC/Ufam, participaram da análise dos canais digitais das prefeituras do Amazonas. Foto: Divulgação.

Para o professor Danilo Egle Santos Barbosa, os resultados mostram que a qualidade da comunicação pública vai além da tecnologia.

“O exercício mostra que a comunicação pública no Amazonas não depende só de tecnologia, mas de rotina, transparência e respeito ao cidadão. Quando a prefeitura publica diretamente, sem o filtro da imprensa, o profissional de Relações Públicas passa a ser o guardião da qualidade e da ética do que vai ao ar”, afirma.

Os resultados completos estão no Painel Diálogo Público AM: rhisadatab.tech/rpufam