Iniciativa “Benjamin Constant Inovadora: Capital Semente e Feiras Indígenas” garantiu o 2º lugar nacional na categoria Gestão Inovadora do XIII Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora.
Por: Milena Monteiro
O empreendedor indígena Joeliton Vargas, da etnia Kokama, fundador da startup IKABEN, afirma que o capital semente representou mais do que um incentivo financeiro. Foi a oportunidade de transformar a valorização da cultura indígena em um negócio com potencial de crescimento e impacto social.
Criada para desenvolver peças inspiradas nos grafismos dos povos originários, a startup recebeu apoio do programa de Capital Semente implantado em Benjamin Constant e conseguiu fortalecer sua presença no mercado. Segundo Joeliton, o investimento permitiu a criação de uma nova identidade visual para a marca, ampliando sua visibilidade e credibilidade junto a clientes e parceiros.
“O Capital Semente não foi apenas um investimento na empresa, mas um incentivo para que um empreendedor indígena do interior da Amazônia pudesse transformar sua visão em realidade e gerar impacto positivo para sua comunidade e para a valorização da cultura indígena”, afirma.

Histórias como a de Joeliton ajudaram Benjamin Constant, município localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, a conquistar o 2º lugar nacional na categoria Gestão Inovadora do XIII Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora (PSPE), com o projeto “Benjamin Constant Inovadora: Capital Semente e Feiras Indígenas”.
A cerimônia nacional ocorreu em Brasília e reuniu iniciativas de todo o país voltadas ao fortalecimento dos pequenos negócios e ao desenvolvimento econômico local. A conquista teve um significado especial para o Amazonas: foi a primeira vez que um município do estado alcançou reconhecimento na etapa nacional da premiação após vencer a disputa estadual.
Segundo dados divulgados pelo Sebrae, a edição mais recente do prêmio recebeu 2.818 inscrições de 1.934 prefeituras brasileiras. Deste total, apenas 229 projetos avançaram para a etapa nacional, tornando o resultado alcançado por Benjamin Constant ainda mais expressivo.
Inovação a partir do território
O projeto premiado reúne ações de incentivo ao empreendedorismo, apoio financeiro por meio de capital semente e fortalecimento das feiras indígenas e da economia criativa local.
Uma das iniciativas mais inovadoras foi a criação de um edital público voltado para startups de impacto socioambiental sediadas no município. O programa destinou R$ 66 mil em recursos do Fundo Municipal de Promoção Social e Solidariedade (FMPSS), contemplando negócios inovadores com aportes de até R$ 5,5 mil para desenvolvimento de produtos, serviços e soluções voltadas aos desafios da região.
Ao todo, foram aprovadas startups ligadas a áreas como moda indígena, bioeconomia, turismo comunitário, reciclagem, mobilidade fluvial sustentável, óleos vegetais amazônicos, produção de chocolate e embalagens biodegradáveis.
Entre os projetos contemplados estão a IKABEN, voltada à moda indígena autoral; a INGALATE, que produz chocolates a partir do ingá; a KAWERU, que desenvolve embalagens sustentáveis a partir da fibra da bananeira; e a IPORÃ, dedicada à produção de óleos vegetais amazônicos.
Papel da Ufam e da INPACTAS
O fortalecimento do ambiente de inovação em Benjamin Constant também passa pela atuação da INPACTAS, incubadora vinculada ao Instituto de Natureza e Cultura (INC) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Nos últimos anos, a incubadora tem contribuído para a formação de empreendedores, desenvolvimento de startups, mentorias, eventos e iniciativas ligadas à bioeconomia e aos negócios de impacto socioambiental no Alto Solimões.

Para o professor Pedro Mariosa, um dos articuladores desse processo, a incubadora desempenhou papel fundamental na construção de um modelo local de inovação.
“A incubadora foi peça central na construção do que chamamos de microcosmos de inovação de Benjamin Constant. O capital semente nasceu de uma série de tentativas de estruturar políticas públicas de incentivo à inovação no município. Foi nesse aprendizado coletivo que conseguimos amadurecer uma governança capaz de transformar intenção em resultado concreto”, explica.
Mariosa destaca que a conquista nacional é resultado direto dessa articulação entre universidade, poder público, empreendedores e instituições parceiras.
“Quando um município de tríplice fronteira, no coração da Amazônia, alcança esse patamar competindo com cidades de todo o país, fica evidente que inovar a partir do território não é só possível — é uma vocação que estamos transformando em referência nacional”, afirma.
Reconhecimento para o interior da Amazônia
Para o secretário municipal de Empreendedorismo e Emprego, Fred Deivyd Monteiro Cabral, a premiação simboliza o esforço coletivo para criar oportunidades de desenvolvimento econômico em uma região marcada por desafios logísticos e de acesso a mercados.
“Este prêmio demonstra que, mesmo diante dos desafios da Amazônia, é possível inovar, criar oportunidades, fortalecer os pequenos negócios e promover geração de emprego e renda com responsabilidade e inclusão social”, destaca.
Segundo ele, a conquista é resultado do trabalho conjunto entre a Prefeitura de Benjamin Constant, Ufam, INPACTAS, Sebrae, empreendedores, artesãos e comunidades indígenas.

Mais do que um reconhecimento institucional, o prêmio amplia a visibilidade das iniciativas desenvolvidas no município e reforça o potencial do Alto Solimões como território de inovação, empreendedorismo e valorização dos conhecimentos tradicionais da Amazônia.

