Conferência Estadual dos ODS reúne ciência, instituições e sociedade civil para debater desenvolvimento sustentável no Amazonas

Agência Rhisa
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Conferência realizada na UFAM reuniu universidades, instituições públicas, movimentos sociais e lideranças indígenas para discutir os desafios da Agenda 2030 na Amazônia

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) sediou a Conferência Estadual dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), reunindo representantes de instituições científicas, órgãos públicos, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e lideranças indígenas para discutir os desafios da Agenda 2030 na Amazônia. O encontro integrou a etapa preparatória da Conferência Nacional dos ODS e debateu propostas voltadas à sustentabilidade ambiental, inclusão social, fortalecimento da democracia e desenvolvimento regional.

Ao longo da programação, 196 participantes discutiram propostas relacionadas aos seis eixos temáticos definidos pela Comissão Nacional dos ODS: democracia e instituições fortes; sustentabilidade ambiental; promoção da inclusão social e combate às desigualdades; inovação tecnológica para o desenvolvimento sustentável; governança participativa; e colaboração multissetorial para o financiamento da Agenda 2030.

Durante a abertura, representantes de instituições federais, estaduais e municipais destacaram a importância da construção coletiva de políticas públicas voltadas para a realidade amazônica. Participaram da mesa o vice-reitor da Ufam, professor Geone Maia Corrêa; a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Costa Pinto Lopes; o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique dos Santos Pereira; representantes da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), da Caixa Econômica Federal e de movimentos sociais.

Ciência como instrumento para soluções sustentáveis

Um dos principais temas debatidos durante a conferência foi o papel da ciência na construção de soluções sustentáveis para a Amazônia. O diretor do Inpa, Henrique Pereira, destacou que o encontro ocorre em um momento estratégico, marcado pela reta final da Agenda 2030 e pela necessidade de discutir novos compromissos globais relacionados ao desenvolvimento sustentável.

Segundo ele, a participação das instituições científicas fortalece a construção de políticas públicas baseadas em evidências e amplia o diálogo entre ciência, gestão pública e sociedade.

“Já é o momento de pensarmos na próxima agenda de compromissos globais para o desenvolvimento sustentável. Participar como uma das instituições coorganizadoras da etapa estadual é muito importante, porque aqui reafirmamos o compromisso do Inpa com esse debate público sobre o desenvolvimento”, afirmou.

Henrique Pereira também ressaltou a importância de transformar o conhecimento científico produzido na Amazônia em propostas concretas para enfrentar desafios sociais, ambientais e econômicos da região.

“O uso do conhecimento científico do Inpa pode contribuir para propostas de soluções baseadas na ciência”, declarou.

A diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, também destacou a importância da integração entre pesquisa científica, participação social e formulação de políticas públicas voltadas à sustentabilidade.

“A conferência representa um espaço estratégico para construir, de forma coletiva, propostas que dialoguem com as especificidades e desafios da Amazônia”, afirmou.

O “fator amazônico” no centro dos debates

As especificidades da Amazônia também estiveram entre os principais pontos abordados pelos participantes. Representando o Governo do Amazonas, a secretária executiva adjunta da Sejusc, Gabriela Leonora, afirmou que discutir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no estado exige considerar as características geográficas, sociais e econômicas da região.

“O Amazonas é um estado diferente dos demais, considerando o nosso fator amazônico”, afirmou.

Segundo ela, desafios relacionados à logística, grandes distâncias territoriais e sazonalidades climáticas impactam diretamente a implementação de políticas públicas no estado.

“Levar cidadania para um estado como o Amazonas é extremamente diferente do que levar cidadania para outros estados do país. A nossa geografia nos limita e torna essa situação extremamente desafiadora”, disse.

Durante a conferência, representantes do poder público também apresentaram iniciativas relacionadas aos ODS desenvolvidas no Amazonas, incluindo programas de combate à fome, incentivo à agricultura familiar, proteção às mulheres em situação de violência e promoção de direitos humanos.

Participação social e construção coletiva

Além das instituições científicas e órgãos públicos, a conferência reuniu representantes de movimentos sociais, organizações civis e lideranças comunitárias em torno da construção de propostas para a Agenda 2030 no Amazonas.

O texto de apresentação do evento destacou que discutir desenvolvimento sustentável no estado significa abordar temas ligados à floresta, rios, cidades, periferias, biodiversidade, cultura, ciência, trabalho e direitos humanos.

Ao final da programação, foram eleitos os delegados que representarão o Amazonas na etapa nacional da Conferência dos ODS, prevista para ocorrer em Brasília. A delegação amazonense contará com 21 representantes, responsáveis por levar à conferência nacional as propostas construídas durante os debates estaduais.

Os participantes defenderam o fortalecimento da cooperação entre instituições científicas, governos e sociedade civil como estratégia para ampliar políticas públicas sustentáveis e garantir maior protagonismo da Amazônia nos debates nacionais sobre desenvolvimento sustentável.

Por: Milena Monteiro

Fotos: Divulgação / Milena Monteiro