Evento sediado no CCA-Ufam contou com representantes da classe pesqueira do Baixo Solimões, de instituições governamentais e pesquisadores
Pesquisadores, lideranças do setor pesqueiro e representantes de instituições governamentais se reuniram, entre os dias 24 e 25 de março, para consolidar as propostas para o manejo sustentável da piracatinga durante um evento realizado no Centro de Ciências do Ambiente da Universidade Federal do Amazonas
(CCA-Ufam) em Manaus.
O Encontro de Saberes sobre a Pesca da Piracatinga no Amazonas: novos rumos a partir da construção coletiva contemplou, em especial, pescadores do Baixo Solimões, reforçando o compromisso do Projeto Piracatinga de construir conjuntamente novas políticas públicas. Entre os dias 3 e 4 de março, o projeto reuniu-se com a classe pesqueira do Alto e Médio Solimões no município de Tefé, fortalecendo os debates com as demandas locais.
Para o diretor de Territórios Pesqueiros e Ordenamento no Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Cristiano Quaresma, que esteve no Encontro de Saberes, a construção coletiva se fez de grande importância. “É o momento em que os pescadores, em conjunto com os técnicos, constroem propostas que visam ordenar
a pesca da piracatinga em níveis de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. Nós confiamos nesse projeto e acreditamos que a partir desses resultados, será possível ter uma análise madura sobre o futuro dessa pesca”, afirmou.

Eliane Chaves, vice-presidente da Federação dos Sindicatos dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Estado do Amazonas (Fesinpeam), descreve o momento como um marco histórico para a pesca da piracatinga, proibida há 13 anos.
“A pesquisa vem ajudar muito o setor pesqueiro, porque o pescador poderá retomar essa pesca e assim, gerar renda para a população ribeirinha”, enfatizou Chaves.
Durante o evento, foram apresentados os resultados do Projeto Piracatinga, que trazem uma análise recordatória sobre a cadeia produtiva e os impactos antes e depois da moratória da espécie. Além disso, foram promovidas três salas temáticas, que abordaram os seguintes aspectos:
- Locais e período de pesca, tamanho mínimo de captura e comercialização;
- Iscas alternativas, métodos e cota de captura;
- Credenciamento, monitoramento e rastreabilidade
Após as discussões nas salas, ocorridas na tarde do dia 24, os resultados foram apresentados em uma plenária geral na manhã do dia 25, que marcou o encerramento do Encontro. O representante da Federação dos Pescadores do Estado do Amazonas (FEPESCA), Jorge Luiz, celebrou os avanços das discussões do Projeto Piracatinga. “A maior reivindicação de todos os pescadores da bacia amazônica do estado do Amazonas é que essa pesca seja liberada. Vamos torcer para o Ministério da Pesca e Aquicultura, junto do Ministério do Meio Ambiente revoguem essa portaria interministerial”, concluiu.
Por: Luís Castro

