Comitiva da universidade e da Prefeitura de Benjamin Constant participa do programa Amazon3x e inicia acordos de cooperação bi e trinacionais para fortalecer bioeconomia, ciência e empreendedorismo na Pan-Amazônia
Entre 16 e 20 de fevereiro de 2026, uma comitiva da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Prefeitura Municipal de Benjamin Constant cumpriu agenda estratégica em Iquitos e Lima, no Peru, no âmbito do Amazon3x 2026. A missão consolidou uma etapa decisiva no processo de internacionalização da universidade e fortaleceu a construção de uma rede amazônica de inovação entre Brasil, Peru e Colômbia.
A articulação foi viabilizada pela Hero Amazônia, parceira estratégica que atua como ponte institucional entre ecossistemas de inovação da Pan-Amazônia. Construída ao longo de 2023 a 2025, a cooperação permitiu à Ufam acessar uma rede estruturada de universidades, centros de pesquisa, ambientes de incubação e órgãos governamentais peruanos, ampliando a capacidade de interlocução internacional da instituição.

Com apoio institucional da Pró-Reitoria de Inovação Tecnológica (Protec), representada por Maria Angélica Corrêa, diretora do Departamento de Empreendedorismo e Habitats de Inovação, a delegação reuniu professores do Instituto de Natureza e Cultura (INC), gestores da Incubadora Inpactas e empreendedores vinculados ao campus de Benjamin Constant. A protec teve papel importante no suporte institucional da missão, garantindo alinhamento estratégico e perspectiva de formalização dos acordos iniciados durante a agenda internacional.
Durante as visitas, a comitiva esteve na Universidad Nacional Agraria La Molina (UNALM), na IncubAgraria, no Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana (IIAP), além de reuniões com o Ministerio del Ambiente (Minam) e o ProInnóvate. A agenda permitiu a troca de experiências sobre pesquisa aplicada, incubação de negócios de impacto socioambiental, políticas públicas de inovação e financiamento verde.

O professor Pedro Mariosa, diretor da Incubadora Inpactas, destacou que a parceria com a Hero Amazônia foi determinante para o êxito da missão. Segundo ele, a organização tem atuado como alicerce das ações de internacionalização da Ufam na Tríplice Fronteira, conectando Benjamin Constant a instituições com escala, maturidade e abertura para cooperação. A experiência, afirmou, revelou afinidades estruturais e oportunidades concretas de integração sul-americana em ciência, tecnologia e inovação.
Maria Angélica Corrêa destacou que a iniciativa reforça o papel da universidade na articulação de projetos estratégicos de inovação voltados à realidade amazônica. Segundo ela, fortalecer redes regionais de cooperação amplia o impacto das ações desenvolvidas pela universidade e contribui para consolidar a Amazônia como espaço de produção de conhecimento, empreendedorismo e desenvolvimento sustentável.
A missão também teve impacto direto sobre os empreendedores vinculados à Incubadora Inpactas. A professora Murana, da startup Puwakana, identificou oportunidades concretas de inserção da arte indígena em mercados regionais de alto valor agregado, com acesso a infraestrutura de acabamento, feiras especializadas e investidores de impacto. Já o cientista indígena Joeliton Vargas, responsável pelas startups Arayé e Ikaben, destacou o intercâmbio com empreendedores indígenas peruanos como elemento transformador para o fortalecimento de modelos de negócios baseados em conhecimentos tradicionais e tecnologia.
Os encaminhamentos definidos incluem a formalização de acordos de cooperação bi e trinacionais, a criação de uma rede amazônica de inovação, a implementação de um programa de incubação cruzada e a submissão de projetos conjuntos a agências de fomento brasileiras e internacionais. A proposta é permitir que empreendedores e pesquisadores circulem entre Brasil, Peru e Colômbia, compartilhando infraestrutura, conhecimento e acesso a mercados.
Um novo modelo de internacionalização
A agenda no Peru sinaliza uma inflexão estratégica na forma como a Ufam projeta sua presença internacional. Em vez de uma internacionalização periférica, centrada em polos distantes, a universidade passa a estruturar uma integração pan-amazônica baseada em cooperação regional, soberania científica e desenvolvimento sustentável.
Com a Hero Amazônia atuando como ponte estratégica e a Protec garantindo sustentação institucional, Benjamin Constant se consolida como laboratório de ensaio para um modelo de desenvolvimento integrativo que articula academia, poder público, setor produtivo e sociedade civil. A consolidação dessa rede poderá posicionar a Ufam como referência na construção de uma inovação amazônica conectada, transfronteiriça e orientada a impacto.
Por: Milena Monteiro

