A vivência das startups do Alto Solimões na Expo Favela Innovation Amazonas 2025

Agência Rhisa
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Participantes contam como a Expo Favela representou visibilidade, valorização e novas perspectivas para suas iniciativas
Texto: Milena Monteiro

Nos dias 2 e 3 de agosto, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, as startups Fluviverde, Ingalate, Kaweru e Iporã participaram da Expo Favela Innovation Amazonas 2025. Todas integram a Inpactas, incubadora de negócios de impacto vinculada ao Instituto de Natureza e Cultura da Universidade Federal do Amazonas (INC/UFAM), em Benjamin Constant.

As iniciativas, lideradas por jovens empreendedores, buscam desenvolver soluções sustentáveis e inovadoras. À frente dos projetos estão Joseney dos Santos (Kaweru), Sthefane Gonçalves (Fluviverde), Francisco Adriano (Ingalate) e Andreza Hilário (Iporã).

A Fluviverde apresentou barcos modulares movidos a energia solar, capazes de se adaptar à cheia e à seca dos rios amazônicos, oferecendo alternativas de locomoção para comunidades ribeirinhas. Para Sthefane, a proposta vai além de uma startup:

“A FluviVerde nasceu para romper o isolamento, conectar comunidades e navegar rumo a um futuro mais sustentável e justo. Participar deste evento é um marco na trajetória do projeto. Cada conversa no estande reforçou a certeza de que estamos no caminho certo. O momento do pitch foi especialmente emocionante, pois conseguimos mostrar o problema vivido por milhares de famílias nos rios amazônicos e, ao mesmo tempo, a esperança de uma solução inclusiva que pode transformar vidas.”

A Ingalate inova na produção de chocolates a partir das sementes de ingá, fruto nativo da região, promovendo o aproveitamento de recursos naturais e reduzindo o desperdício.

“Participar da Expo Favela foi uma experiência única. Mostrar que no interior do Amazonas existem ideias inovadoras enriquece a região. Estar ao lado de outros empreendedores foi maravilhoso, pois pude conhecer suas histórias também”, afirmou Adriano.

Ele ressaltou ainda a importância de estimular uma cadeia produtiva que respeite o meio ambiente e valorize a biodiversidade amazônica.

A Kaweru, formada por indígenas, transforma fibra de bananeira em embalagens 100% biodegradáveis, gerando renda para a comunidade e reduzindo impactos ambientais. Para Joseney, a participação foi essencial:

“A experiência engrandeceu a Kaweru, trazendo confiança, aprendizados e motivação para continuar avançando. Mesmo não alcançando a fase nacional, o reconhecimento obtido fortaleceu a convicção de que a startup está no caminho certo e que seu impacto pode crescer ainda mais.”

A Iporã – Óleos Vegetais da Amazônia apresentou sua linha de inseticidas naturais, desenvolvidos a partir de plantas da região. O objetivo é oferecer alternativas ao uso de produtos sintéticos que prejudicam a saúde humana e contaminam o meio ambiente.

“A feira foi uma plataforma excepcional para apresentar nossa inovação e conectar-nos com empreendedores, investidores e especialistas. Houve grande interesse do público, além de participações em podcasts e entrevistas que ampliaram nossa presença no mercado. O networking também foi um ponto alto, permitindo conexões valiosas e estratégicas com quem compartilha nossos objetivos”, destacou Andreza.

As quatro iniciativas mostram como a inovação local pode se tornar instrumento de transformação social, econômica e ambiental. Ao unir conhecimento tradicional, ciência e empreendedorismo, os projetos incubados pela UFAM revelam o potencial da Amazônia para inspirar soluções sustentáveis que dialogam com o Brasil e o mundo.