Reunidas em Manaus, mais de 70 instituições científicas e tecnológicas entregaram documento coletivo com soluções regionais para enfrentar a crise climática
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) recebeu, nos dias 19 e 20 de agosto, o Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia com a presidência da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30). O evento reuniu mais de 70 instituições de ensino, pesquisa e inovação da Amazônia Legal, além de movimentos sociais e entidades civis, para apresentar recomendações ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da Conferência no Brasil.
As propostas foram construídas a partir do Mutirão de Ciências e Saberes Amazônicos pelo Clima, que durante dois meses mobilizou universidades federais, institutos de pesquisa e fundações de amparo em torno de seis eixos estratégicos: transição energética e industrial; gestão sustentável de florestas, oceanos e biodiversidade; transformação da agricultura e sistemas alimentares; resiliência urbana e hídrica; desenvolvimento humano e social; e temas transversais como financiamento, governança e inovação.
Na abertura, a reitora da Ufam, Tanara Lauschner, reforçou que não há alternativa para enfrentar a mudança climática sem ciência e sem apoio às instituições amazônicas. O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira, lembrou que a região nunca foi “um vazio de conhecimento”, mas sim um território rico em ciência e cientistas, capazes de oferecer soluções enraizadas para os desafios do desenvolvimento sustentável.

Entre os participantes, Pedro Mariosa, professor universitário, diretor da INPACTAS e representante da RHISA, destacou a relevância da diversidade institucional presente no encontro. “A presença de universidades, institutos de pesquisa e unidades de interior fortaleceu a construção coletiva. Essa pluralidade garantiu que as propostas contemplassem realidades diferentes e pontos muitas vezes esquecidos, como interiorização, inclusão de jovens e mulheres e fortalecimento de incubadoras de inovação”, afirmou.
O documento entregue agora é uma primeira versão, que seguirá sendo ampliada e detalhada até a COP30, em novembro, em Belém. Mais do que um registro técnico, a entrega simboliza um posicionamento: a Amazônia não apenas pauta a conferência, mas também reivindica lugar de decisão nos caminhos para enfrentar a crise climática global.

