Entre ideias, pressão e conexões: Startup Weekend Bioeconomia movimenta ecossistema de inovação em Manaus

Agência Rhisa
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Estudantes, empreendedores, pesquisadores e profissionais acompanharam as atividades do Startup Weekend Bioeconomia no Centro de Ciências do Ambiente, da Ufam, em Manaus. Foto: Milena

Durante 54 horas de imersão, participantes desenvolveram soluções para desafios da Amazônia e viveram, na prática, a experiência de criar uma startup.

Salas ocupadas até a madrugada, equipes correndo contra o tempo, apresentações improvisadas nos corredores e grupos tentando transformar problemas reais em soluções viáveis. Foi nesse clima que aconteceu, em Manaus, o Techstars Startup Weekend Bioeconomia, maratona de inovação que reuniu estudantes, empreendedores, mentores e profissionais de diferentes áreas em uma imersão de 54 horas voltada à criação de startups conectadas à Amazônia.

Realizado no Centro de Ciências do Ambiente (CCA), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o evento propôs mais do que desenvolver ideias de negócios. Para muitos participantes, a experiência funcionou como um primeiro contato com o universo do empreendedorismo e da inovação.

Segundo o facilitador do Startup Weekend, Danilo Picucci, a proposta do evento é justamente aproximar pessoas da jornada empreendedora e fortalecer comunidades de inovação de forma colaborativa.

“Os empreendedores costumam ser muito colaborativos. Eles se conectam de forma natural para fomentar novos empreendedores, mas também para ajudar as empresas a crescer”, destacou.

Dinâmicas e apresentações marcaram o início das atividades do Startup Weekend Bioeconomia.

Danilo também relembrou que o Startup Weekend acontece desde 2007 e já realizou mais de 7 mil edições em cerca de 150 países. Durante a abertura, ele citou que outros eventos estavam acontecendo simultaneamente em diferentes cidades do Brasil e do mundo.

Ao longo do fim de semana, os participantes precisaram validar problemas, construir modelos de negócio, conversar com possíveis usuários e preparar pitches finais. A pressão do tempo e o contato constante com mentores fizeram parte da dinâmica.

Entre as 11 iniciativas desenvolvidas durante a imersão, o primeiro lugar ficou com a Pacovita, proposta de produção de pão a partir da banana pacovã. O segundo lugar foi conquistado pela Mico Protein, iniciativa voltada ao desenvolvimento de proteínas alternativas produzidas com fungos. Já a Kapê-Yora, que ficou em terceiro lugar, apresentou uma plataforma para conectar produtores de carne de jacaré a vendedores.

Para a estudante de Economia Jhully Michiles, um dos momentos mais marcantes foi perceber como uma ideia pode mudar quando passa pelo olhar de outras pessoas.

“Às vezes a gente acha que tem um grande problema, mas ele não representa um grande problema para outras pessoas também. Isso foi o que mais me impactou”, contou.

Entre os mentores, uma das percepções recorrentes foi a dificuldade dos participantes em focar primeiro no problema antes de pensar na solução. Para Karla Pereira, diretora de projetos do Ipiam, muitos grupos chegam ao evento já apaixonados por uma ideia pronta.

“O maior problema é querer validar a solução antes de entender se aquele problema realmente existe para o público”, explicou.

A conexão entre inovação e território amazônico também apareceu nas discussões. Para Ricardo Nery, fundador da Rico Amazônia, eventos como o Startup Weekend ajudam a criar espaços para pensar soluções a partir da realidade local.

“Os participantes têm muita vivência no território amazônico, onde existem desafios muito diferentes e muitas vezes esquecidos. Esse ambiente é importante justamente para essa troca”, afirmou.

Participantes apresentaram ideias e receberam sugestões de mentores durante as sessões de pré-pitch realizadas.

Mesmo com foco em bioeconomia, o evento reuniu propostas ligadas à alimentação sustentável, aproveitamento de recursos amazônicos e soluções voltadas a desafios econômicos e ambientais da região. Entre mentorias, validações e apresentações finais, o Startup Weekend terminou deixando algo em comum entre os participantes: a sensação de que transformar ideias em soluções exige colaboração, adaptação e disposição para testar caminhos novos.

Por: Milena Monteiro