Iara Uaka propõe museu fluvial para preservar a oralidade amazônica no Alto Solimões

Agência Rhisa
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Equipe Iarawaka recebendo premiação no ideathon 2025 (Foto: Sebrae)

Projeto em fase de ideação aposta em modelo itinerante para valorizar línguas, narrativas e saberes tradicionais de comunidades ribeirinhas e indígenas.

O Iara Uaka, Museu Fluvial da Oralidade Amazônica é um empreendimento em fase de ideação que surge com a missão de preservar e difundir línguas, narrativas e saberes tradicionais da Amazônia, fortalecendo comunidades ribeirinhas e indígenas do Alto Solimões. A iniciativa aposta na valorização da diversidade cultural como base para um modelo inovador de desenvolvimento sustentável, integrando preservação da memória, bioeconomia e protagonismo comunitário.

Com base operacional em Benjamin Constant, o projeto se diferencia por seu caráter itinerante. A proposta é a criação de um museu flutuante dedicado à oralidade amazônica, inexistente atualmente na região. O modelo une museu fluvial, registro de narrativas orais e contrapartidas socioambientais construídas de forma participativa com as comunidades envolvidas.

Na fase inicial, o Iara Uaka prevê o mapeamento participativo de dez comunidades, com foco no registro de línguas em risco de desaparecimento e de práticas culturais tradicionais. O trabalho resultará na elaboração de um relatório diagnóstico, que servirá de base para as próximas etapas do empreendimento, incluindo a implantação da embarcação-museu.

Entre os produtos e serviços previstos estão relatórios técnicos, materiais educativos bilíngues, registros audiovisuais e eventos comunitários de integração. O mercado primário do projeto são as próprias comunidades locais, enquanto universidades, incubadoras, organizações da sociedade civil e instituições ligadas à bioeconomia e à inovação sustentável compõem o mercado secundário.

O investimento inicial estimado é de US$ 30 mil, com retorno projetado em até 36 meses, por meio da entrega do diagnóstico e da abertura de novas oportunidades de captação para a fase de implantação. A equipe é formada por Ronnie (CEO), Elian (CFO) e Bruno (CMO), que se definem como empreendedores sociais e inovadores, com experiência nas áreas de gestão, finanças e comunicação, e atuação voltada ao impacto comunitário e à sustentabilidade.

Incubação e validação da proposta

O projeto prevê incubação na InPACTAS, incubadora de negócios de impacto socioambiental do Alto Solimões. Segundo a equipe, o convite para incubação já foi feito pelo professor doutor Pedro Mariosa. Embora o início formal esteja previsto para março do próximo ano, o grupo já atua com autorização e orientação da incubadora.

A proposta ganhou visibilidade e amadureceu a partir da participação no IdeathonBC 2k25, quando o Iara Uaka conquistou o terceiro lugar geral. De acordo com o CEO do projeto, o evento foi decisivo para transformar a ideia em uma iniciativa estruturada.

“A ideia surgiu na disciplina do professor Pedro, que eu levei até o fim. Durante o Ideathon, a equipe do Iara Uaka teve o privilégio de conquistar o terceiro lugar no geral, o que nos deu ainda mais estímulo para seguir adiante. O Ideathon contribuiu abrindo portas para o nosso sonho, que hoje acreditamos ser possível”, afirmou Ronnie, CEO do Iara Uaka.

Projeto sendo apresentado no Ideathon (Foto: Sebrae)

Ao articular cultura, inovação e sustentabilidade, o Iara Uaka se apresenta como uma iniciativa estratégica para a preservação da memória amazônica e para o fortalecimento das comunidades do Alto Solimões, conectando saberes tradicionais a novas formas de desenvolvimento.

Por: Milena Monteiro