Enquanto a UFC oficializa normas para o uso de inteligência artificial na pós-graduação, a UEA destaca que já aplica práticas de controle e orientação sobre o tema.
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) já vem adotando diretrizes sobre o uso ético de tecnologias de inteligência artificial (IA) em trabalhos acadêmicos e exige que os alunos apresentem uma declaração expressa indicando se utilizaram ou não ferramentas de IA na elaboração de suas pesquisas — prática que ganhou destaque nacional após a Universidade Federal do Ceará (UFC) publicar, no início de outubro, uma portaria que regulamenta o tema na pós-graduação.
A norma da UFC proíbe o uso de IA para gerar textos, análises ou referências não verificadas em dissertações e teses, reforçando a importância de garantir a autoria e a transparência nas pesquisas. Já na UEA, a política prioriza a autonomia e a responsabilidade do pesquisador, transferindo ao estudante o dever de declarar de forma clara e assinada o uso de ferramentas de IA em seus trabalhos.
Segundo o diretor da Escola de Direito da UEA, professor doutor Alcian Pereira de Souza, a medida reflete uma escolha institucional de confiança e compromisso ético.
“É importante também não ignorarmos as novas tecnologias e como isso pode contribuir para a facilitação e o avanço da pesquisa, por exemplo, a revisão textual, o alcance de referências modernas, a melhor estrutura para o seu trabalho. Esse é um debate que nós devemos seguir com profundidade da nossa sociedade”, afirmou.
O professor reforça que a UEA reconhece o potencial das ferramentas de IA como auxílio à pesquisa, mas ressalta que a tecnologia não pode substituir o pensamento crítico nem a produção original do estudante.
Para ele, a iniciativa da UFC de regulamentar o uso da inteligência artificial reforça uma tendência que deve se expandir entre as instituições de ensino superior no país, demonstrando preocupação com a ética acadêmica em tempos de inovação tecnológica.
“Mais importante do que proibir é educar para o uso ético. A UEA tem seguido essa linha, reforçando a responsabilidade individual e a integridade científica”, completou.
Texto: Milena Monteiro.

